

A Sala D. Afonso Henriques, no Convento São Francisco acolheu, no dia 12 de fevereiro, o evento “Um Dia para Camões em Coimbra” - promovido pela Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e UCCLA -, que reuniu mais de 400 estudantes para celebrar os 500 anos do nascimento do poeta.
O evento, que reuniu personalidades da literatura e da cultura lusófona em homenagem aos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, contou com a participação presencial dos escritores galardoados com o Prémio Camões, Hélia Correia e Germano Almeida, além de uma declaração de Manuel Alegre, lida pelo moderador do encontro, o jornalista e poeta José Carlos Vasconcelos.
Qual é o elo de ligação entre Luís de Camões, um escritor de 500 anos atrás, e os jovens de hoje? Essa foi a pergunta que a Embaixadora Paula Leal da Silva, Secretária-Geral Adjunta da UCCLA, procurou responder. Para a responsável "o elo de ligação se relaciona com um aspeto absolutamente inquestionável: o facto de os grandes génios, nomeadamente Luís de Camões, serem sempre intemporais." Destacando que “tudo o que o poeta escreveu pertence a hoje, ao mundo de hoje, ensina-nos e enriquece-nos”, acrescentou que [Camões] deve ser apresentado às novas gerações como uma referência viva, "Camões soube descrever a identidade de Portugal, mas também as emoções, os encantamentos, a melancolia, tudo aquilo que nos define. É por isso que, ao lê-lo, nos reencontramos. A cultura não pode ser um dever, tem de ser um prazer."
O Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, destacou a importância da efeméride e a ligação do poeta à instituição, "é um privilégio celebrar Camões no ano em que a Universidade de Coimbra comemora 735 anos da sua fundação e 700 anos da morte do seu fundador, El-Rei D. Dinis.”
Amílcar Falcão ressaltou a forte ligação de Camões a Coimbra, afirmando que "no caso da Universidade de Coimbra, a sua figura [de Camões] se cruza com um pilar essencial da história da instituição," o que foi determinante para que a UNESCO inscrevesse a Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na lista de Património Mundial em 2013. O Reitor acrescentou ainda que a distinção reconhece "a relevância central dessa dimensão imaterial da candidatura, bem como o papel da Universidade e da cidade de Coimbra na difusão e defesa da língua e cultura portuguesas."
Hélia Correia refletiu sobre a forma como o poeta é percebido nos dias de hoje, "do meu ponto de vista, trata-se de uma figura da literatura portuguesa magnífica, excelente, mas que não é amada. É admirada, estudada, escalpelizada, mas falta-lhe um elemento essencial que outras nações e idiomas cultivam em relação aos seus escritores: o amor".
Germano Almeida lamentou o afastamento de Camões da literatura cabo-verdiana após a independência: "Deixámos Camões, o que é uma pena. No entanto, a sua influência perdura". O escritor destacou a proximidade que sente com o poeta: "Costumo dizer que Camões é-me familiar. Estudei Os Lusíadas com alegria e sabia quase de cor". "A sua forma de escrever continua a marcar-nos", admite.
O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, sublinhou o espírito aventureiro do poeta e a sua relação com os jovens: “Camões foi um aventureiro da vida, do amor, das descobertas e da literatura. Celebrá-lo é percorrer uma vida de desafios, algo que todos nós, em maior ou menor medida, carregamos dentro de nós.”
Para José Carlos Vasconcelos, moderador do evento, a celebração vai além do poeta e reafirma o papel da língua portuguesa no mundo: “É uma sessão sobre a língua portuguesa e a sua presença global. Naturalmente, Camões está no centro dessa conversa".
Mais informações, fotografias e vídeo disponíveis no link https://ucpages.uc.pt/noticias/artigos/um-dia-para-camoes-em-coimbra-celebra-a-forca-da-lingua-portuguesa/?q=cam%C3%B5es